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Confiança no setor de construção é a menor desde julho de 2010

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Um estudo inédito, divulgado nesta terça-feira pelo Banco Central (BC) em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), mostra que a confiança no setor da construção civil está em baixa, com índice médio de 125 pontos entre os meses de setembro, outubro e novembro. Este é o menor resultado da série histórica do estudo, que começou em julho de 2010. Como a pesquisa leva em consideração a média do trimestre, o primeiro resultado do levantamento termina em setembro, quando a média dos três meses (julho, agosto e setembro) era de 145 pontos.

O resultado do trimestre findo em novembro é 10,2% menor que o registrado no mesmo período do ano passado, quando o índice de confiança na construção civil alcançou quase 139 pontos. A média dos três meses com fim em outubro (portanto, abrangendo os meses de agosto, setembro e outubro) registrou 128 pontos.

 

Inadimplência cresce e crédito encarece

Clip Imobiliário

Apesar da redução da taxa Selic, atualmente em 11% ao ano, as taxas aplicadas pelos bancos continuam a expandir-se. Com base em dados do Banco Central, o spread bancário (diferença entre a taxa de captação e a cobrada do cliente final) em outubro atingiu 28,9%, alta de 0,8 pontos percentuais no mês e de 5,4 pontos percentuais em 2011. Parte da justificativa, segundo especialistas, está na inadimplência, cujo índice geral chega a 5,5% no décimo mês do ano, o que corresponde a um acréscimo de 0,2 ponto na comparação mensal e de 1 ponto desde janeiro.

Contudo, a participação no spread é pequena: em média, de 7%. Outro fator relevante está relacionado às medidas macroprudenciais, principalmente a alta do compulsório. Segundo o economista da SCPC Boa Vista Serviços, Flávio Calife, há diversos fatores que compõem os juros finais, tanto ao consumidor quanto a empresas. “Selic não é a única determinante da taxa de juros. Há um cenário de incertezas e inadimplência em alta. Se se estabilizar, é possível que também estabilize na ponta e possa oferecer uma taxa menor.”

De acordo com levantamento feito pela Boa Vista, a inadimplência subiu 2,4% em novembro, em relação a outubro, a segunda alta mensal consecutiva. No acumulado de janeiro a novembro, o número de novos registros cresceu 23,2%, ante o mesmo período do ano passado.

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A preferência por imóveis novos ainda é minoria entre os brasileiros

Redimob

A maioria dos imóveis financiados no Brasil é de usados. Na Caixa Econômica Federal, eles representam 52% do total, enquanto os novos ficam com 48%. Embora sejam a minoria, o percentual das unidades recém-construídas no bolo dos financiamentos bancários tem aumentado. Em 2002, elas correspondiam a 36% do volume concedido.

Os brasileiros têm financiado imóveis bem mais caros. Entre 2003 e 2011, o valor médio dos imóveis adquiridos com a linha de crédito do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo(SBPE) saltou de R$ 78 mil para R$ 179 mil, uma elevação de 177,5%. Nos financiamentos com recursos do FGTS, esse preço médio subiu de R$ 37 mil para R$ 89 mil, 143% a mais.

Para o vice-presidente de Governo da Caixa, José Urbano Duarte, não é só a disparada dos preços dos imóveis que explica essa alta significativa em oito anos. “Além da melhoria da renda e do emprego, as facilidades do crédito, com redução das taxas de juros, aumento do percentual que pode ser financiado e maiores prazos, permitiram às pessoas adquirirem apartamentos ou casas maiores e melhores”, afirma. O valor médio financiado, que pode chegar a 100% do imóvel, é de R$ 135 mil no caso das linhas da poupança e de R$ 65 mil para as do FGTS.

De casamento marcado, a auxiliar administrativa Mariana Lais Fernandes, 24 anos, optou por comprar um imóvel já pronto. Mas isso só foi possível por causa da facilidade de obter crédito. “Não conseguiria comprar à vista”, diz. A cerimônia será realizada só em 2013, mas ela não quis correr riscos. “Fiquei com medo de comprar na planta e ter dificuldades na entrega”, explica. Ela financiou o apartamento em 30 anos, mas pretende quitá-lo em 10. “Depois disso, quero comprar outro imóvel.”

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